Miastenia Gravis e estética: há restrições?

Estética Postado em 31/08/2020

“Olha
Que coisa mais linda
Mais cheia de graça
É ela menina
Que vem e que passa
Num doce balanço
A caminho do mar…
Moça do corpo dourado
Do sol de Ipanema
O seu balançado
É mais que um poema
É a coisa mais linda
Que eu já vi passar…”

Com a canção mundialmente conhecida “Garota de Ipanema”, seus autores Antônio Carlos Jobim e Vinicius de Morais enalteceram em 1962 a beleza de Helô Pinheiro que, naquela época, estava com 17 anos de idade.

Os anos passaram e Helô continua bela. E, apesar do medo que dizia sentir, no ano passado, aos 74 anos, ela se rendeu à primeira cirurgia plástica, realizada na região do pescoço – até então recorria somente a aplicações de toxina botulínica.

Depois da cirurgia, a eterna garota de Ipanema disse em entrevista para TV e Famosos, do portal UOL, em setembro de 2019: “Estou muito mais segura agora… Parecia um maracujá de gaveta e agora parece uma maçãzinha… Estou tão feliz!”

As sensações de confiança, de segurança, de felicidade são alguns dos principais benefícios quando uma pessoa decide passar por procedimentos estéticos. E essa busca por bem-estar é natural também para miastênicos. Por que não desejar ficar mais bonita – ou bonito?

Miastenia é um impeditivo para a estética?

“Há somente uma contraindicação para esses pacientes: a toxina botulínica”, avisa a Dra. Debora Campozan, médica dermatologista, que dá aulas sobre as toxinas há 16 anos.

Ao ser aplicada, a toxina induz a um relaxamento muscular, com o objetivo de acabar com as rugas localizadas da pele. A substância atua na região em que o nervo se liga ao músculo (a placa neuromuscular).

A MG tem a mesma fisiopatologia: a musculatura não tem força de contração, e isso acontece exatamente na placa neuromuscular. Ou seja, a toxina botulínica pode exacerbar o sintoma de fraqueza muscular causado pela MG. Por isso, a recomendação é a não utilização.

Há, inclusive, alguns estudos que indicam que as toxinas botulínicas podem provocar crises miastênicas, que é o pior quadro para esses pacientes. Apesar de ainda não ter uma comprovação científica disso, para que arriscar, não é mesmo?

Radiofrequência

Além da toxina botulínica, existe uma preocupação com procedimentos com geração de calor, segundo a Dra. Debora, em especial os que utilizam radiofrequência. Esses equipamentos geram calor – em torno de 40 graus, em média – numa camada profunda da pele.

“Em alguns pacientes e em algumas regiões do corpo, há a tendência de piorar um pouco o sintoma da Miastenia, mas é temporário. Não induz, por exemplo, a uma crise miastênica”, detalha ela.

A Dra. Debora, diagnosticada com Miastenia Gravis ocular em 2019, testou a radiofrequência nela mesma. O resultado é tão bom quanto o verificado em pessoas sem a doença.

Entretanto, o procedimento próximo aos seus olhos provoca ptose (queda da pálpebra), perdurando por um ou dois dias somente. Para ela, vale a pena!

Miastenia e estética: tratamentos liberados

“Fora a toxina botulínica, tudo é liberado para quem tem Miastenia”, avisa a especialista. Ou seja, um miastênico pode, com segurança, recorrer aos preenchimentos, aos bioestimuladores, aos ultrassons, aos lasers e aos peelings feitos com todos os tipos de ácidos.

Até mesmo aqueles benefícios exclusivos da toxina podem ser obtidos por outras técnicas. A Dra. Debora ensina, para suas pacientes que tem tal restrição, um treinamento baseado em exercícios faciais – são caretas, expressões de risos e choros… – que ajudam a fortalecer a musculatura, a deixar a pele mais firme, adiando, consequentemente, o aparecimento de marcas de expressão e de rugas.

Além disso, existem várias medicações utilizadas em estética, como colágeno e polivitamínico, com excelentes resultados e que são liberados aos miastênicos. “Nós, miastênicos, usamos medicamentos ‘trash’ para tratar a Miastenia. Alguns causam inchaço, outros fazem surgir manchas roxas no corpo. Precisamos assumir isso, mas não precisamos assumir a feiura. Veja, por exemplo, minhas cinco pacientes miastênicas, todas
elas estão super lindas!”

E nos salões de beleza?

Saindo do consultório, rumo aos salões de beleza, o miastênico também pode, sem medo, fazer tintura, escova progressiva, hidratação etc. “Aliás, pacientes que tomam corticoides – como muitos miastênicos – costumam até ter tolerância maior com a aplicação de químicas nos cabelos, por exemplo”, destaca a Dra. Debora.

A dermatologista, entretanto, chama a atenção à unha em gel, a qual deve ser vista com restrição, não só por miastênicas, mas por todas as mulheres.

Como a unha em gel é colada na unha da pessoa, se não for bem instalada, pode deixar um espaço que facilita a proliferação de fungos. Além disso, para retirar a unha em gel, há um processo de raspagem, fragilizando a camada de proteção da unha verdadeira.

Portanto, apesar de existir a contraindicação da toxina botulínica, a miastênica tem um arsenal em mãos para ficar bonita.

A doença não significa, de forma alguma, a perda do acesso à medicina estética, seja utilizando anestesia local ou geral. Pode, inclusive, recorrer às cirurgias plásticas, mas sempre compartilhando antes com seu médico especialista em MG.

Fonte:

https://tvefamosos.uol.com.br/noticias/redacao/2019/09/28/helo-pinheiro-revela-cantada-e-comemora-plastica-parecia-um-maracuja.htm

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