Miastenia Gravis e a prática de atividade física

Miastenia Grave Postado em 19/08/2020

Quem tem Miastenia Gravis sabe muito bem: o repouso minimiza os sintomas. Então, praticar atividade física é contraindicado? Claro que não.

Afinal, atividade física faz bem para qualquer pessoa, inclusive para quem tem Miastenia Gravis.

Também é óbvio que ninguém vai levantar da poltrona, depois de anos tendo uma vida sedentária, para correr uma maratona, não é mesmo?

Apesar de poderem ser enquadrados como pessoas com deficiência, poucos são os miastênicos totalmente inválidos. Quando tratados, eles conseguem ter uma vida normal – ou muito próximo disso.

Muitos trabalham, fazem as tarefas domésticas, saem para se divertir com família e amigos. E por que não praticar exercícios?

“Na verdade, os estudos mais atuais indicam que a prática de exercício físico aeróbico com supervisão no miastênico que esteja compensado melhora a capacidade motora desses pacientes. Inclusive, a prática pode melhorar a força para realização de algumas tarefas do dia a dia (como subir escadas, por exemplo)”. A fala é do Dr. Eduardo Estephan, neurologista do Ambulatório de Miastenia do Hospital das Clínicas (SP) e do Ambulatório de Doenças Neuromusculares do Hospital Santa Marcelina (SP).

Isso significa que praticar atividade física vai além dos benefícios do exercício que todas as pessoas praticantes têm.

Diminuição do risco de doenças do coração e do cérebro são alguns exemplos. Neste caso, os miastênicos podem experimentar melhora dos seus sintomas diários ao se tornarem mais ativos.

Atividades permitidas

Gostaríamos de listar aqui todos os exercícios que qualquer miastênico pode praticar, mas infelizmente não podemos dar essa resposta.

Primeiro porque não existem estudos de grande abrangência disponíveis para embasar uma resposta. Segundo, porque não há um padrão único de sintomas da Miastenia Gravis.

É preciso avaliar o grupo de músculos acometidos pela doença e seu estágio para definir o que a pessoa pode praticar atividade física ou não.

Portanto, em princípio, não há restrições para um paciente de Miastenia Gravis praticar atividade física. Entretanto, tudo vai depender da condição física da pessoa e do respectivo quadro da doença.

Por isso, alertamos para conversar com seu médico, porque ele é quem conhece a fundo o seu caso e tem o conhecimento dessa rara doença.

Geralmente, os médicos liberam atividades de baixo impacto, cargas leves e poucas repetições. Em alguns casos, é necessário um intervalo maior entre um e outro exercício.

“Além disso, o limite físico do miastênico deve ser sempre respeitado, de maneira que o aumento da intensidade da atividade tende a ser mais demorado que nas pessoas sem miastenia”, pontua o Dr. Estephan.

Caminhadas, yoga, exercícios de alongamento, relaxamento e de fortalecimento muscular costumam ser benéficos aos miastênicos.

Essas atividades melhoram o desempenho motor e, consequentemente, impactam positivamente nos aspectos funcionais do corpo.

Miastenia, atividade física e o autoconhecimento

De qualquer forma, não tenha pressa, comece aos poucos e vá aumentando com cautela a intensidade e a frequência. Preste atenção aos sinais que seu corpo for lhe dando, e respeite os próprios limites.

A atividade física deve ser autorizada pelo seu médico especialista em Miastenia Gravis. Isso vale principalmente para aquelas de maior impacto e que exigem muito dos grupos musculares.

Se precisar aguardar o sinal verde do médico pergunte a ele quanto a outras atividades que podem ser praticadas de forma benéfica.

Inclusive, há casos que a recomendação médica até pode limitar qualquer prática ao acompanhamento de um fisioterapeuta que tenha conhecimentos sobre Miastenia.

É que algumas atividades, como o pilates, por exemplo, fazem com que a pessoa utilize muito o diafragma, sem perceber. Dependendo do miastênico, o risco é causar fadiga, podendo até desencadear uma crise miastênica.

Se aquele seu sonho de ser um atleta for liberado pelo seu médico, então vá em frente. Geralmente o primeiro passo é se dedicar 100% ao tratamento, buscando a melhor compensação possível da doença.

E na maioria das vezes é necessário  persistência para transpor as barreiras que aparecem à sua frente, o que às vezes não são poucas.

Para se inspirar

Há vários miastênicos que conseguiram chegar lá. Um bom exemplo é o de Renato Stutz. Ele faz musculação três vezes por semana e pratica natação – duas vezes por semana na piscina e no mar aos sábados.

O início não foi fácil, conta ele, mas persistiu e avançou, ao ponto de somar atualmente 40 competições disputadas no mar e muitas medalhas.

Outras duas histórias de miastênicos que venceram as barreiras foram Fabio Kazuo Nagasawa e Marianne Mayumi. O mestre Nagasawa, faixa preta no taekwondo, conquistou alguns títulos como campeão em Armas e dá aulas dessa arte marcial.

Já Mayumi deu o primeiro passo ao entrar no ballet, na turma dos cadeirantes. Hoje em dia ela até dança usando sapatilhas de ponta.

Os esportes mudaram a vida dessas pessoas, e o que elas nos ensinam é que não podemos deixar de lado os nossos sonhos.

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