Quais fatores podem agravar miastenia gravis?

Sintomas Postado em 14/02/2022

Sem cura, a miastenia gravis é uma doença que acompanha a pessoa por toda a vida. Mesmo na fase estável, em que é possível ter qualidade de vida, o miastênico pode sofrer com episódios de agravamento, chamados de crise de miastenia. Ela pode ser engatilhada por fatores comuns ao cotidiano, como excesso de exercício físico, período menstrual, uso de determinados medicamentos e outros.

Confira quais os principais fatores agravantes da miastenia gravis e os cuidados necessários com quem tem a doença.

O que é miastenia gravis?

A miastenia gravis é uma doença neuromuscular autoimune crônica que causa uma fraqueza muscular que piora após períodos de atividade e melhora após períodos de repouso. Os músculos afetados são responsáveis ​​por funções que envolvem a respiração e as partes móveis do corpo, incluindo os braços e as pernas.

Considerada uma doença rara pelo Ministério da Saúde, a miastenia gravis acomete de 25 a 142 pessoas a cada milhão de habitantes. É mais comum entre mulheres de 20 a 34 anos e entre homens de 70 a 75 anos. Não há cura conhecida, mas com as terapias atuais, a maioria dos casos de miastenia gravis podem ser estabilizados. Os tratamentos disponíveis ajudam a controlar os sintomas e, muitas vezes, permitem que as pessoas tenham qualidade de vida.

Como é o desenvolvimento da miastenia gravis?

Os primeiros sintomas da miastenia gravis são a fraqueza e fadiga em um músculo em específico. Geralmente atinge aqueles músculos responsáveis por movimentar os olhos e as pálpebras, causando problemas como a visão dupla ou borrada e a pálpebra caída.

No entanto, a região afetada inicialmente varia de acordo com a pessoa, podendo ser qualquer outro músculo de controle voluntário. Dessa forma, os sintomas iniciais da miastenia gravis podem ser dificuldade para engolir, mastigar, falar, segurar objetos e até mesmo a dificuldade para respirar.

A tendência é que, nos dois primeiros anos da doença, haja uma piora significativa na fraqueza muscular, que pode passar a atingir também outros músculos pelo corpo. Em uma média de três anos após o início dos sintomas, a doença se estabiliza. Para os profissionais da saúde, a miastenia gravis pode ser considerada estabilizada quando já atingiu o pico de fraqueza muscular e também de número de músculos acometidos.  

Quais fatores podem agravar a miastenia gravis?

Vacinas – não são todas as vacinas que são contra indicadas para pacientes com miastenia gravis. Quando elas são feitas com agente inativo, podem ser administradas com segurança. Mas se são produzidas com microrganismos vivos e ativos, devem ser evitadas.

Isso porque, mesmo que o agente infeccioso esteja atenuado, ele pode gerar sintomas da doença. E, como o tratamento da maioria dos miastênicos pode alterar sua reação imunológica, essas pessoas podem não ter a reação esperada pela vacina, de modo a engatilhar uma crise miastênica.

Período menstrual – acredita-se que o aumento do nível de hormônios no organismo, em especial da progesterona, causa uma piora no quadro de miastenia da maior parte das mulheres. No entanto, com a diminuição do nível deste hormônio no organismo, nos últimos dias do período menstrual, há uma melhora dos sintomas.

Métodos contraceptivos com hormônios – assim como pode ocorrer durante o período menstrual, o uso de anticoncepcionais gera uma alteração nos níveis hormonais. Isso porque a maioria dos métodos contraceptivos  contém hormônios. E essa alteração pode piorar os sintomas de mulheres miastênicas. O ideal é consultar o ginecologista para optar por métodos contraceptivos que sejam mais adequadas para a paciente.

Medicamentos – há uma série de fármacos que devem ser evitados por pacientes com miastenia gravis, porque contêm substâncias que podem interferir na transmissão neuromuscular e, assim, gerar uma crise miastênica. Clique aqui  e veja a lista de medicamentos contraindicados.

Além destes fatores, há outros que também podem gerar crises de miastenia gravis:

  • Sono insuficiente;
  • Estresse;
  • Ansiedade;
  • Excesso de esforço físico;
  • Movimentos repetitivos;
  • Depressão;
  • Baixos níveis de potássio;
  • Temperaturas extremas – muito calor ou muito frio nas mudanças de clima, em alimentos e bebidas, em banhos e saunas;
  • Infecções no organismo.

Atenção: estes fatores podem criar um estado de descompensação da doença mesmo na fase estável da miastenia gravis. A piora dos sintomas, no entanto, é transitória. Quando a causa do agravamento passa, a pessoa tende a voltar ao mesmo estado de antes.

Quais são as complicações da miastenia gravis?

As crises miastênicas são os momentos mais complicados para quem possui a doença. Elas consistem em episódios de extrema fraqueza muscular, em especial do diafragma e dos músculos do peito, que suportam a respiração.

Dessa forma, a respiração pode tornar-se superficial ou ineficaz e as vias aéreas podem ficar bloqueadas devido ao enfraquecimento dos músculos da garganta e ao acúmulo de secreções. Em crises miastênicas graves, uma pessoa pode ter que ser colocada em um ventilador para ajudar na respiração até que a força muscular retorne com o tratamento.

Como é o tratamento da miastenia gravis?

Há três tipos de tratamentos que são úteis em momentos diferentes da miastenia gravis. Veja abaixo:

  1. Em casos de crise de miastenia

Por ser necessário em situações de emergência, o tratamento para as crises de miastenia gravis demandam recursos que tenham efeitos imediatos. Para isso, o médico pode prescrever doses altas de imunoglobulina injetada na veia ou o processo de plasmafarese, que filtra a parte do sangue em que se encontram os anticorpos.

2. Para sintomas específicos

Há um tratamento realizado com uma substância chamada piridostigmina que, mesmo sem tratar a causa da doença, alivia os principais sintomas: fraqueza muscular e fadiga.

3.Para manter a miastenia gravis estável

Mesmo quando a pessoa já está na fase de estabilidade dos sintomas, é necessário continuar o acompanhamento médico para evitar crises. Esse tratamento atua na causa da doença por meio de medicamentos corticoides ou imunossupressores.

Atenção: o tratamento deve ser indicado pelo profissional da saúde responsável pelo acompanhamento do paciente miastênico.

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Referências:

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