Quadro geral da Miastenia no Brasil

Miastenia Grave Postado em 11/07/2019

O Brasil, assim como a maioria dos países, não dispõe de números de incidência e prevalência da Miastenia Gravis (MG) entre a população. Entretanto, podemos adaptar as estimativas mundiais para cá, já que a doença acomete pessoas, sem distinção de raça, etnia ou localização geográfica. Então, devemos ter aproximadamente cerca de 40 mil brasileiros, hoje, com a doença. À primeira vista, pode parecer um número alto, mas não se lembrarmos que nossa população é de 209,3 milhões de habitantes. 

Como chegamos a esse número? Seguinte: a estimativa mundial tem sido de 10 a 15 casos de MG para cada 100 mil habitantes, montante que está em crescimento e, nos dias atuais, deve estar próximo a 20 para cada 100 mil pessoas. Essa evolução não significa que a doença está se espalhando mais, mas é consequência principalmente do avanço tecnológico na área diagnóstica, do maior conhecimento dos profissionais da saúde e do aumento da expectativa de vida – as pessoas estão vivendo mais tempo.

No portal do Ministério da Saúde (MS), consta que a MG tem incidência que vai de um a nove para cada milhão de habitantes, enquanto a prevalência varia de 25 a 142 por milhão de pessoas. Calculando a estimativa pelos números do MS, teríamos entre 5,2 mil a 29,7 mil miastênicos. Especialistas acreditam que esse número está abaixo da realidade. Isso sem contar os que não foram diagnosticados.

Você sabe qual é a diferença entre as taxas de incidência e prevalência de uma doença? A primeira se refere ao número de novos casos da doença, dividido pela quantidade de pessoas em risco. Já a da prevalência considera o número de doentes, dividido pelo total de habitantes do país.

Ainda segundo esse protocolo do MS, publicado em novembro de 2015, a doença pode se manifestar em qualquer idade, mas atinge um pouco mais as mulheres, com pico de início entre os 20 e 34 anos no público feminino e de 70 a 75 anos no masculino.

Frequência dos músculos atingidos

Considerando o padrão de fraqueza dos músculos em razão da Miastenia Gravis, os sintomas variam muito de um para outro paciente. As estatísticas, entretanto, indicam que 25% dos miastênicos apresentam somente sintomas oculares como ptose (pálpebra caída) e diplopia (visão dupla). Cerca de 35% relatam sintomas generalizados leves nos músculos oculares e nas pernas e braços. Já esses mesmos sintomas, mas com graus moderados a graves, incluindo também os músculos na região bulbar (que controla a fala, a deglutição, assim como mandíbula, lábios e língua), o acometimento é de 20% dos pacientes.

Casos mais graves atingem 20% dos pacientes, sendo a MG aguda e fulminante, quando o doente tem sintomas graves na área bulbar e músculos respiratórios (11%); e a MG tardia, com sintomas generalizados em poucos anos após o início dos sintomas e apresentam crises (9%).

O provável primeiro miastênico

Se hoje o diagnóstico ainda é um desafio, principalmente pela falta de disseminação de conhecimento da doença, imagina séculos atrás…  A classe médica considera que o primeiro caso de Miastenia Gravis – também chamada Miastenia Grave – provavelmente foi o do chefe indígena Opechankanough, que vivia na Virgínia (EUA) entre 1500 e 1600. De lá para cá, vários casos com os sintomas estão descritos na literatura.

Entre os famosos que eram miastênicos, podemos citar o magnata grego Aristóteles Onassis, que morreu em 1975, como consequência de sua MG; e a norte-americana Wilma Mankiller, que foi chefe da nação Cherokee. Ela sofria de MG, mas também tinha outros problemas de saúde; faleceu em 2010 em virtude de câncer no pâncreas.

No Brasil, o primeiro caso relatado foi feito pelo médico Enjolras Vampré, em 1915. Mais recentemente, complicações da MG provocaram o falecimento da vidente Mãe Dináh, em 2014; e do diretor teatral Naun Alves de Souza, em 2016. Já o enxadrista gaúcho Henrique da Costa Mecking (conhecido como Mequinho, atualmente com 67 anos)  até precisou se afastar das competições na década de 1970 pelos sintomas de MG.

É bom frisar que a Miastenia Gravis não leva o paciente a óbito, mas pode provocar complicações que levam à crise miastênica, esta, sim, pode ser fatal, se o paciente não for socorrido a tempo. Por isso, a importância de o paciente seguir à risca as recomendações do seu médico. 

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