Animais têm Miastenia Gravis?

Miastenia Congênita Postado em 26/11/2020

O seu animal de estimação parece estar com dificuldades para coordenar a cabeça, o tronco e os membros ou de repente para, recusando-se a se movimentar, mas volta ao normal após um tempo de repouso?
Saiba, então, que ele pode ter Miastenia Gravis (MG).

Assim como no ser humano, a MG é uma doença neuromuscular rara também em animais e se caracteriza por um defeito na transmissão de impulsos dos nervos para os músculos. 

Um dos principais sintomas é uma fadiga muito forte, que ocorre principalmente quando o bichinho está se movimentando ou se exercitando. Por exemplo, um cão sai para passear com seu dono e, do nada, para de andar e não quer sair do lugar. Entretanto, depois de um tempo de repouso, a musculatura relaxa, e ele volta a se movimentar como se nada tivesse acontecido.

Essa fadiga ou fraqueza pode ser percebida nas patas traseiras do animal, tendo dificuldades para se levantar ou anda meio que cambaleando.

Há outros sintomas, além do cansaço exacerbado, que podem indicar que seu animalzinho esteja sofrendo de MG. Em relação aos sintomas e à gravidade, a Miastenia pode ser dividida em três tipos:

Generalizada – É a mais comum em cães e gatos. O sintoma clássico é a fraqueza ou fadiga de membros, piorando com o esforço e com movimentos repetitivos, e melhorando com o repouso.

Focal – A fraqueza, neste caso, é somente nos músculos faciais, mais especificamente no sistema da deglutição. O animal tem dificuldades em engolir alimentos sólidos e também pode regurgitar. A consequência mais grave é a pneumonia aspirativa, quando o alimento em vez de ir para o estômago vai para o sistema respiratório, podendo chegar aos pulmões.

Aguda – É a mais rara e também mais grave. Ela provoca paralisia flácida (fraqueza ou até paralisia com redução do tônus muscular) dos membros e dos músculos respiratórios. O quadro costuma piorar em poucos dias.

O sintoma de regurgitação (quando o conteúdo do estômago sobe para a boca) nos animais acontece como consequência da dilatação grave do esôfago, uma condição chamada megaesôfago, que também pode causar dificuldade para engolir, dor na região do tórax e até perda de peso. 

Aliás, no processo de diagnóstico da MG – além do exame clínico, histórico contado pelo dono e eventualmente exames neurológicos – é investigado se o animal apresenta megaesôfago. “O megaesôfago parece ser bastante comum, podendo ser encontrado em aproximadamente 80% dos casos de MG”, como consta no site da clínica PetLove.

Outra condição que é considerada para se chegar ao diagnóstico é se existe timoma (tumor da glândula timo). Isso porque a Miastenia, nos animais e nas pessoas, pode estar associada à existência desse tumor. 

Existem dois tipos de Miastenia que podem acometer cães e gatos, que são as mesmas das pessoas.

Miastenia Gravis – Ela é classificada como uma doença autoimune “adquirida”. Ainda não se sabe o porquê, mas o sistema imunológico de quem sofre de Miastenia Gravis produz anticorpos que atacam células saudáveis, em vez de combater somente os “invasores” (como os vírus e bactérias).

Essa Miastenia pode aparecer em qualquer momento da vida do cachorro, sendo a maior incidência com três anos de idade e depois dos 10 anos de vida. Em gatos, ocorre mais a partir dos três anos.

Há menos relatos da ocorrência dessa doença adquirida em gatos, mas as raças mais predispostas são: Siamês, Abissínio e Somalis.

Já em cães, há relatos de Miastenia Gravis em Pastor Alemão, Pastor Australiano, Labrador Retriever, Golden Retriever, Akita, Schnauzer (gigante), Chihuahua. Dachshund, Pointer Alemão (pelo curto) e alguns terriers.  

Mas não só nessas raças. A Clínica Escola de Medicina Veterinária da Universidade Guarulhos (UnG), por exemplo, diagnosticou a doença em um Border Collie de um ano de idade. Ele sentia dor e dificuldade de locomoção. “Ao se exercitar perdia força nos membros pélvicos e após minutos em repouso voltava a se locomover normalmente, em seguida apresentava novamente os sintomas”, descreve o estudo de caso publicado em 2019 na Revista Saúde, da UnG.

Outro caso foi descrito em 2015 na Revista Brasileira de Higiene e Sanidade Animal: “Um canino, macho, com oito meses de idade, sem raça definida”. Ou seja, nem nossos queridos e fortes “vira-latas” estão livres da doença. Os autores do estudo de caso descrevem que o cachorro apresentava ataxia (comprometimento da coordenação), paresia (perda parcial dos movimentos) e atrofia muscular dos membros. 

Miastenia Congênita – Também chamada de Síndrome Miastênica Congênita (SMC), esta é ainda mais rara do que a adquirida. Na SMC, o animal nasce com um gene defeituoso, o qual afeta a junção entre o nervo e o músculo. Os sintomas, similares à Miastenia adquirida, aparecem quando o filhote tem entre seis e nove semanas de vida. 

As raças de cães mais propensas à Miastenia Congênita são Springer Spaniel inglês, Fox Terrie de pelo liso e, principalmente, Jack Russel Terrier. Há pouquíssimos relatos dessa doença em gatos.

Tratamentos

A partir do diagnóstico, o médico veterinário deverá prescrever medicamentos e poderá indicar alterações na dieta. As recomendações variam de caso para caso e podem exigir tratamentos complementares. 

Por exemplo, se o megaesôfago ou o hipotiroidismo forem diagnosticados, estes também deverão ser tratados. Há ainda a possibilidade de realização de cirurgia, no caso da identificação do timoma, com a retirada do timo.

Assim como em humanos, a Miastenia em animais não tem cura e o tratamento pode ser necessário para sempre, mas na maioria das vezes permitindo que o animal tenha uma vida normal. Há inclusive casos tratados que dispensam a continuidade da medicação.

Se o seu bicho de estimação for diagnosticado com Miastenia, cuide dele, com paciência e amor.

Fontes:
https://www.peritoanimal.com.br/miastenia-gravis-em-caes-sintomas-diagnostico-e-tratamento-23086.html#:~:text=Tratamento%20da%20miastenia%20gravis%20em%20c%C3%A3es,-Se%20voc%C3%AA%20suspeita&text=O%20tratamento%20baseia%2Dse%20na,por%20via%20oral%20ou%20inje%C3%A7%C3%B5es.

https://www.petlove.com.br/conteudo/saude/doencas/miastenia-grave

http://revistas.ung.br/index.php/saude/article/view/4084#:~:text=Introdu%C3%A7%C3%A3o%3A%20A%20miastenia%20gravis%20%C3%A9,ou%20fisiol%C3%B3gicas%20em%20sua%20estrutura

http://www.higieneanimal.ufc.br/seer/index.php/higieneanimal/article/view/281

https://cienciasveterinarias.ufes.br/sites/cienciasveterinarias.ufes.br/files/field/anexo/teca_viii_2019.pdf

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